
Com a idade passamos a apreciar as coisas que realmente valem a pena e tentar não despreender energia com aquilo que de fato não é necessário.
Passo breves férias no Rio Grande do Sul. Uma semana dedicada ao descanso e para tentar não pensar em nada. Escrevo de uma charmosa cabana a 14 km de Gramado no La Hacienda. Uma pousada cheia de charme e absolutamente deserta de pessoas. São 6 chalés e apenas o numero 2 está ocupado. Por mim e Leti é claro. Ter toda a atenção do staff é genial. O restaurante com apenas a nossa mesa no jantar e poder escolher a que horas o café da manhã será servido é um luxo que definitivamente me agrada. Pouca gente, pouca interação com desconhecidos e muito sossego eram exatamente do que eu precisava.
Claro que você deve estar esperando a minha costumeira reclamação. Dessa vez ela vai para os rodízios e os restaurantes all you can eat. Esse é um conceito que não me seduz mais. Na adolescência adorava as churrascarias rodízio. Comia feito um desesperado e achava tudo uma delícia. Naquela época essa era a única modalidade de rodízio que conhecia. Ouvia falar que no extinto Grupo Sérgio pizzas eram servidas nesse sistema.
Hoje o que me motivou escrever esse post foi o tão famosos Café Colonial da Serra Gaúcha. Saímos do conforto de nosso chalé com lareira acesa em direção a cidade de Gramado, mais precisamente ao Café Bela Vista. Neblina gigante, chuva e um frio de rachar convidavam a que cometesse o pecado da gula sem culpa.
Bastou que nos sentassemos para que o garçon começasse a encher a mesa com os mais variádos tipos de comida. Frango frito, bolinhas de queijo, cuca, bolo de amendoim, de cenoura com chocolate, de laranja, rocambole, presunto, pães, queijos, geléias, nata, ricota, mel, e muitas outras coisas cobriram a mesa e me deram uma certa agonia.
Estava tudo ok. Nada excepcional, como era de se esperar desse tipo de estabelecimento. A necessidade de mostrar fartura é diretamete proporcional ao desperdicio de comida. Cerca de 2/3 do que veio a mesa voltou para a cozinha. Provavelmente alguns pedaços de bolo, o frango frito e outros rangos que nem sequer foram tocados visitarão outras mesas, e quem sabe, terão um destino mais nobre.
Comi além do que gostaria e com certeza, um série de coisas que não escolheria.
Rodízios são desprezíveis e só me pegam em última instância.
Os de carne me afligem com o banho de sanque e os “aceita?” perguntados frenéticamente sem que se possa saborear absolutamente nada com calma.
Os japoneses me dão um certo nojo. Muito arroz, peixe de qualidade ultra duvidosa que com certeza frequentarão várias mesas se não forem fisgados por hashis corajosos.
Os de pizza são outro problema. As massudas redondas levam em geral recehios sem qualidade, e até que chegue a sua mesa um sabor que você realmente gosta, você já foi servido de pelo menos 4 pedaços que não escolheria no cardápio.
Hoje me convenci que não preciso comer nada daquilo que não quero. Ao invés de ir 3 vezes ao Aoyama, prefiro me sentar uma única vez no balcão do Nagayama. Troco um almoço fogo de Chão pelo Rubayat sem hesitar e qualquer 3 rodízios de pizza por uma redonda do Camelo.
E se for ao rodízio, por favor, não me convide.